GUERRA PERDIDA

Satanáries sempre gostou de vencer desafios. A guerreira marciana está sempre pronta, em posição de ataque, aguardando pacientemente o momento certo. Estratégia. Mas e quando a guerra que estamos lutando é uma guerra perdida?

Eu fico um pouco confusa quando sei que a guerra em que estou entrando é perdida, confesso. Ao passo que existe uma força dizendo lá no fundo que eu deveria ter esperanças mesmo no impossível, há outra igualmente proporcional me implorando para não tomar posse daquilo que eu nunca terei, que nunca foi meu.

Já comentei em outros textos: tenho saudades do que nunca tive, sinto coisas por quem nunca me notou… Eu odeio esses sentimentos. Me odeio. Não suporto, como verdadeira Satanáries, saber que já entrei numa guerra perdida.

Busco então um equilíbrio entre a esperança velada e a vontade de apreciar o mínimo que posso ter. Porque eu aprendi que ter o mínimo é melhor do que não ter nada. Mas essa resiliência toda é difícil, pesada. É muito difícil resignar-se quando você tem combustível querendo queimar desesperadamente. É horrível ser obrigada a puxar todos os freios, inclusive os que você não tem, pra não sofrer as pancadas post-mortem. Eu já sou soldado morto nisso tudo. Não preciso tomar nenhuma facada de graça. Posso ser um corpo no chão, caído, sem vida, mas digno.

É difícil você SABER que dessa vez, a culpa será sua se você fizer o que você já sabe que NÃO DEVE SER FEITO. E depois pra desmanchar tudo é muito pior: dissolver coisas que não deveriam nem ser sedimentadas levam tempo, causam um sofrimento absolutamente desnecessário e um desgaste que pode acabar erodindo com tudo, como um castelo de areia.

Isso é o que mais me machuca: eu mesma, minha teimosia, minha veia guerreira que não sabe parar quando enxerga o campo adversário minado. Saber que o corpo e a alma serão destroçados. Saber e não conseguir controlar os danos.

Eu estou tentando. Tento apelar justamente pro lado guerreira para travar uma batallha interna diferente: a de aceitar a morte de algo que sequer chegou a nascer, mas que o peito insiste em dizer o contrário. A espada está em punho e essa batalha sim, já começou.

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