MEU GATO GUERREIRO

Ele acorda cedo porque o dever chama. O dia chama, a vida chama. Ele sai quando os primeiros raios de sol atravessam os vidros das casas enfileiradas, um pouco antes do comércio tornar-se barulhento, um pouco depois do merecido descanso de casais apaixonados, que se amaram na noite anterior.

Caminha fazendo planos de gente grande, mesmo nem tendo todo essa estatura. É um homem preso no corpo de um menino. O foco está disperso, mas a todo custo, mantém o prumo. Não pretende desviar, não pretende cancelar nada do que visionou a si. Escala paredes de verdade, paredes imaginárias e paredes invisíveis. Aos poucos, chega ao topo, mesmo com breves quedas pelo caminho. Agarra-se às pedras erradas querendo chegar às pedras certas, e vice-versa. Sabe o que quer, mesmo não sabendo. Criança que cresceu rápido demais. Caminha para a obrigação, sem temer a crítica ou o desafio. Os olhos amendoados gritam para quem quiser ouvir que ele tem medo, tem tristezas, mas também tem o seu brilho, é só olhar mais de perto. O brilho dos olhos escorre, como suor, por marca desenhada num corpo, que é outra obra de arte. Quando ele sente, ilumina a as almas mais próximas.

O corpo cheio de luz irradia suas vibrações delicadas de um adolescente entrando na juventude. Ainda indeciso, mas, com certeza de muita coisa. Ainda magoado, mas que sabe sorrir verdadeiramente. Sem falsidades. Sem “impressões”. Apenas marcas de suas paixões. As ondas sonoras o fascinam, o distraem, sem distanciá-lo da realidade. Um equilíbrio comedido, poucas vezes visto em rapazes hoje em dia. Marca o corpo cada paixão. Por dentro e por fora: na pele, as paixões boas; na alma, as paixões que doeram.

É uma figura. A espontaneidade adolescente é adulta. Impressiona pela noção de obviedade. De novo, rapazes assim são raros. Querem o colo quando estão sós. O da mãe, da mulher amada, da irmã, não importa. Quer ser feliz, mesmo estando triste. Quer fazer feliz, mesmo com medo. Quer viver feliz, liberto de dores, de passado, de melancolia.

Ele sabe chorar, e, meu Deus, como sabe sorrir com esses olhos!

É minha pequena estrela em época de raios e trovões. Eu, madura como penso que sou, posso não ser tão madura quanto ele. Ver através desses olhos dão esperança de melhora, de evolução, de real altruísmo. A saudade que ele sente, a gente sente o quanto dó. Mas também constrói um homem cada dia melhor.

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