UM BRINDE

Hoje, eu só quero propor um brinde.
Um brinde ao mundo.
Um brinde à vida… Como ela é.

Um brinde às decepções e tristezas que sentimos todos os dias,
Aos fracassos depois de tantas e tantas tentativas,
Aos sentimentos mais obscuros do universo: ódio, ciúmes, inveja.

Um brinde à maldade dos seres humanos,
À minha maldade, à sua maldade,
Às más intenções disfarçadas de boas intenções,
À carniça acumulada pelo desejo de vingança.

Um brinde aos nossos calos pisados,
Aos espinhos nos picando,
Ao veneno destilado com elegância,
Às chagas abertas no passado, que permanecem presentes,
Ao sangue que escorre pelo coração, pelo corpo, pela alma.

Um brinde aos pedaços que ficaram,
À hipocrisia e moralidade,
À falta de caráter,
À falta de decoro,
À falta de lealdade.

Brindemos aos pesadelos diários, à dor no peito, à falta de ar…
Ao suor que pinga do rosto e cai no duro asfalto,
À inutilidade do trabalho duro, da inteligência.

À vitória dos que não ligam sobre os que se importam,
À glória dos que se vingam sem escrúpulos,
Ou dos que se defendem por instinto e passam por cima da própria história,

Aos que não pensam, mas logo enrolam a gente, direitinho.
Um brinde: encham suas taças de enxofre, dor e sofrimento.

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