ATAQUE DE PÂNICO

A vida é mesmo uma coisa doida, né? A cabeça do ser humano não é uma coisa fácil. Essa semana eu ganhei um livro que achei providencial, já que estou cuidando mais da minha vida espiritual: “Mistérios Nórdicos”. Era exatamente o que eu estava querendo; uma leitura de aprendizado, e mitologia nórdica é algo que eu ainda não estudei em profundidade. Existe uma boa fonte de magia cerimonial nórdica que, com toda a certeza, adaptarei parte pro meu cotidiano, e pra zona que eu já faço de magia – kaos, candomblé, celta, thelema, xamânica… De repente agora eu tenho paciência pra estudar runas, que ainda não consegui absorver tudo, apesar de saber o mais básico.

Mitologia nórdica me leva pra fora de casa novamente. E é providencial, estou precisando mesmo de ar, de árvore, de natureza, de paz. Ontem voltei a correr, tentando melhorar de uma gripe pesada. Na volta da minha corrida, já caminhando, parei em frente a um centro espírita, pertinho de casa. Estava aberto e eu simplesmente entrei, peguei uma senha, entrei na fila do passe. Estava muito abalada ainda com tudo o que eu tinha absorvido e em ponto de explodir. A luz azul do corredor começou a me acalmar. Fechei os olhos. Senti a energia começar a pesar menos. Entrei na sala, sentei, aguardei os médiuns. Enquanto recebia o passe, acabei chorando compulsivamente: era um desabafo da alma, do corpo, do coração, do cérebro. Era o deságue do cansaço da luta pra manter minha identidade sem me anular. Saí e fui correndo pro banheiro; chorei por mais uns trinta minutos. Eu soluçava. Quando o choro finalmente cessou, lavei meu rosto, coloquei o agasalho de volta, levantei o capuz e me pus em direção à minha casa.

Andei um quarteirão e travei. Senti um medo terrível de ser atacada, de morrer naquele exato momento. Eu tinha uma ideia fixa e repentina de que eu morreria, que alguém me machucaria. Meus músculos do corpo inteiro travaram. Senti vontade de gritar por socorro. Minha cabeça começou a formigar e meu coração acelerou de um jeito que eu nunca tinha sentido. Achei que fosse desmaiar, ou pior, realmente morrer. Pensei que talvez pudesse estar no meio de um infarto. Não conseguia me mexer. Levei outra meia hora sem sair do lugar, os carros passando, eu de roupa de corrida.

Quando o corpo finalmente destravou, saí correndo pra casa. Cheguei, tirei o tênis, entrei no meu quarto, apaguei todas as luzes, desliguei tudo. Deitei e cobri a cabeça. Procurei pensar em coisas positivas. As lágrimas correram novamente. Liguei pro meu terapeuta às 23h contando o que tinha acontecido.

Hoje de manhã, fui pra minha sessão, não tinha como ser mais tarde, não tinha como ser outro dia. Descobri que tive um ataque de pânico, o primeiro da minha vida. Já tive dois ataques epiléticos por stress, mas nunca uma crise dessas, que envolve medo de morrer repentino. Meu terapeuta disse que isso aconteceu porque eu me isolei, porque estou com medo das pessoas, porque estou decepcionada demais e estou descontando tudo na cabeça e no corpo. Eu estou decepcionada mesmo, com muita coisa na minha vida. Estou mesmo me sentindo mais sozinha. Realmente me isolei, mas fiz isso na verdade pensando justamente o contrário, que isso me ajudaria a superar meus problemas e decepções. Quando me abri demais a guarda, fui jogada aos leões; quando fechei demais a guarda, entrei em pânico absoluto.

Eu não sabia que isso podia acontecer quando a gente se isola do jeito que me isolei. Estava comparecendo apenas a compromissos profissionais e vez ou outra, encontrando um ou outro amigo para jantar, almoçar. Mas também a extensão do compromisso era esse: a refeição. Faz um tempo que não vou pro “escritório” com a minha melhor amiga, faz tempo que não tenho um ombro pra chorar minhas preocupações, decepções, mágoas. Resolvi não desabafar com ninguém por um bom tempo, achando que só escrever me daria o tempo de respiro e desabafo necessários pra ir seguindo com a minha vida. Mas ontem eu descobri que não pode ser assim.

O terapeuta me alertou pra o que está acontecendo com a minha saúde também: dois meses, um tumor e uma infecção. Agora, uma gripe que me atacou até o fígado, vomitando que nem uma louca. Ele me pediu pra ficar mais tempo fora de casa, curtindo a natureza, o barulho dos carros e as pessoas circulando. Prefiro a natureza às pessoas por enquanto. Tem pessoas de quem eu gostaria de estar muito perto, mas que estão em momentos distintos em suas vidas, não posso atrapalhá-las com os meus problemas. Mas vou tentar conhecer pessoas novas e abrir meu coração novamente, resolver os problemas de confiança que eu tenho tido com outros seres humanos. Espero que eu consiga. Sou satanáries, não posso desistir da humanidade.

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