CHUVA, SORVETE E AMOR

Eu caminhava pela rua… Chovia muito. Estava molhada da cabeça aos pés, usando um salto alto. Eu só queria chegar em casa, mas ainda faltava um pouco. Passei pela frente de uma casa que eu conhecia, onde já estive. A porta estava aberta, e entrei pra me proteger da chuva. Ele simplesmente apareceu, me beijou a mão, me levou até uma banheira. Despiu-me e me olhou no fundo dos olhos… Aqueles olhos verdes reluzentes. Apoiei-me em seu braço tatuado e sentei-me na banheira. Ele abaixou e, com uma toalha branca dobrada molhada, me deu banho, sempre me olhando nos olhos. Uma música tocava ao fundo: Chopin. Quando terminei meu banho, o vapor de água estava espalhado pelo cômodo. Levantei, enrolei-me numa toalha e entrei em seu quarto. Tudo do mesmo jeito, só que maior. Ele delicadamente tirou a toalha do meu corpo e me deitou na cama. Fizemos amor. Muito amor. Adormeci nos braços dele.

Acordei e procurei por ele. A casa era imensa, muito diferente de como realmente é. Procurei por diversos cômodos. Era como se fossem várias casas diferentes, com habitantes que eu não conhecia. Sentei-me em um sofá e um gato pulou no meu colo. Ele reapareceu com uma taça de sorvete nas mãos. Me alimentou e me beijava longamente entre cada colherada. Carregou-me no colo até um outro sofá, eu nua, ele também. Fizemos amor de novo.

Me vesti e fui embora de mansinho, mas me perdi. Encontrei pessoas que conheço que tentavam me indicar o caminho de volta pra minha casa, mas eu não encontrava. Começamos a subir uma rua de paralelepípedos, e eu com aquele salto. Chegamos a uma espécie de descampado: máquinas trabalhavam, bombas de combustível, um local triste, cinza, escuro, perigoso. Metal derretido corria por uma espécie de rio. Quis estar longe dali. Avistei uma porta, com a luz do sol fugindo dali. Deixei meu grupo e entrei nessa porta: era uma casa enorme, um verdadeiro labirinto. Cheguei a uma cozinha com uma enorme mesa de ferro preta no centro. Nela, uma taça de sorvete. Deleitei-me com aquele sorvete, quando percebi que estava invadindo a casa de alguém. Vou para a frente da casa e um carro estaciona: pai, mãe, um senhor de idade, uma menina e ele. Todos me olharam estranhamente. Ele não. Ele me deu um longo abraço, me pegou pela mão e me levou de volta para aquele quarto. Sussurrou no meu ouvido “não quero que você vá embora, nunca mais… fica aqui, comigo?” Pensei imediatamente no grupo de pessoas do qual eu tinha me desgarrado, expliquei pra ele que tinham pessoas comigo. Saí pela porta da casa e não encontrei ninguém, mas encontrei o caminho da minha casa. Como uma transmissão telepática, ouvia a voz dele na minha cabeça me pedindo pra voltar para aquele quarto, para aquela cama. Acordei.

Engraçado que sonhar que está tomando sorvete significa bons momentos com a pessoa amada. É o mesmo significado para quem sonha estar andando na chuva e chuva forte significa estar em breve com quem se ama. E por fim, ao sonhar que se está fugindo da chuva, buscando abrigo, significa ver alguém que há muito tempo não vemos.

Duvido. Muito.

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