AS QUEDAS DO PENHASCO

Não sei o que tem de errado comigo. No momento que eu acho que a tempestade passou dentro da minha cabeça, ela fica ainda mais confusa. Não sei mais o que sentir. Não entendo o que eu estou sentindo, não sei se existem sinais que eu não percebi, mas eu estou com tudo virado do avesso dentro de mim.

Eu tenho muito medo de ficar sozinha no mundo, mas eu quero minha liberdade. Eu quero experimentar coisas novas e não me desapegar do que é preciso. Eu fico com um filme passando na minha cabeça que vai apertando o vazio que está no meu peito, que não está vazio, mas é como se estivesse. Eu penso em coisas que eu deveria apenas esquecer, mas não consigo. Eu tirei um nove de espadas no meu tarot que está mesmo cruzando meu coração. Parece que eu entrei em um buraco negro e meus sentimentos entraram junto, de uma hora pra outra. De repente, mil neuroses estão refletindo no espelho, não eu mesma. Eu fico olhando pras cores de coisas que não me pertencem. Eu fico contemplando sozinha, no escuro, a minha alma mendigando um pouco de luz. A minha, de alguns dias pra cá, simplesmente apagou-se, mas se esforça e lentamente, vai ascender de novo.

Meus pensamentos estão incompreensíveis. Tão incompreensíveis que a noite passada eu sonhei com alguém que já morreu, mas que jamais havia demonstrado interesse em me ver feliz, me abraçando e me dizendo que esse sofrimento, essa confusão, vai passar, como todo o resto de ruim que está me preenchendo, me deixando sem ar pra respirar. Estou tomada de um grande desejo e força de realizar sonhos, de ser feliz, e estou com a faca e o queijo na mão, mas tem algo me bloqueando, e eu não tenho como não fazer autoanálise, mas eu sei que é autocentrado, egoísta e mesquinho da minha parte eu me bloquear. Eu estou querendo me sabotar, só não entendo o motivo dessa onda esquisita querendo me varrer, enquanto eu estou nadando de braçada pra me livrar desse sentimento ruim. Tenho focado tanto no trabalho, em ler, em pesquisar… Tenho tentado fugir desses pensamentos e estados de contemplação catatônicos e colocar o dínamo em movimento.

Tenho buscado limpar a mente com um pouco de meditação, com coisas que precisem muito mais do meu lado analítico do cérebro… queria vencer de verdade essas emoções. Quero pensar e sorrir quando penso. Ando aborrecida… Buscando o isolamento. Preciso ver gente, mas minha cabeça me mantém dentro desse quarto o máximo de tempo possível. Fico com medo entrar em depressão e não perceber, por isso, eu fico muito ligada quando essas coisas acontecem. Acontece com todo mundo em algum momento.

Eu estou levando um tempo pra escrever tudo isso. Pensando aqui em uma forma de explicar todo esse embaraço de um jeito simples. É como se eu estivesse caminhando por uma montanha muito alta para chegar a um lugar e me descubro sem caminho: um penhasco me separa do meu objetivo, mas a distância entre as montanhas é de um passo largo. Eu fico insistindo em olhar pra baixo e um medo me paralisa de dar esse passo. É simples, um passo, mas o medo é muito maior. As cicatrizes da queda na montanha anterior foi feia, ainda estou curando muitas cicatrizes. Tenho medo de cair, de morrer, de me machucar muito e ficar até o final da vida tentado perseguir isso.

É estranho me sentir assim, porque eu não sou assim. Eu só quero que certas feridas cicatrizem mais rápido pra eu perder um pouco desse medo. Quero sorrir muito. Sorrir é muito bom!

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