NOTAS SOBRE 2016

Olhando pra 2016, mal posso esperar pra esse ano terminar. Vejo muita gente falando a mesma coisa nas redes sociais por causa de política, crise, recessão, mortes de artistas queridos… Meu 2016, no entanto, foi o que costuma-se classificar como “bitter sweet”: foi doce e amargo ao mesmo tempo…

Foi doce com as várias oportunidades profissionais que se apresentaram diante de mim, algumas foram inclusive realizações de sonhos mais antigos, guardados num passado longínquo, de quando a vida era muito mais simples, com menos preocupações, apenas sonhos, planos e projetos… E no profissional mesmo, foi amargo também, com horas de trabalho sem descanso, com preocupações que não são minhas assumidas por mim, com noites em claro, com abusos, excessos, com muito, mas muito trabalho jogado no lixo.

Tive um ano conturbado demais do lado pessoal: doce nos meus longos passeios por aí, de madrugada, no frio congelante ou no calor escaldante, sempre juntos. Nas manhãs, tardes e noites tórridas de desejo, com muita diversão, muitas risadas, muito, mas muito prazer. Nos dias em que passamos só jogando conversa fora, almoçando no quilo, bebendo em postos de gasolina, em pubs, em bares… Pulando de quarto em quarto, de sala em sala, da parede da cozinha pro sofá, assistindo stand-ups, filmes, documentários… Foi amargo demais quando tudo foi pro espaço assim, sem prévio aviso, sem defesa, sem proteção alguma, numa trama cheia de mentiras, todas contra mim. Entre mortos e feridos, eu ainda não sei como escapei de tantas ameaças, de tanto choro, de tanta verdade jogada no lixo. Fui esperançosa, mas posso ter confundido lealdade de amigo com lealdade temporária. E essa tristeza se misturou a uma série de tiros nas costas que tomei da vida: a perda irreparável de quem me protegia debaixo de seu par de asas. A luta contra uma doença horrível, que aos poucos, foi tirando a vida de alguém que realmente se importou comigo, que foi leal comigo de verdade até os últimos minutos. É uma dor que eu estou carregando ainda, e misturada às demais dores, me deixa ainda um pouco sem direção e sem planos futuros.

Tem sido amarga a minha indecisão, os meus maiores medos tão perto de mim, tão experimentados antes e que hoje me aterrorizam na etapa da vida em que estou. Vejo todos ao meu redor se comprometendo, se planejando, sempre em pares, em famílias. Eu não sei que rumo tomar. Estou tão triste e tão confusa ainda com esse ano que estou presa entre mundos: entre o mundo de quem assume riscos e se joga – sempre foi o meu mundo – e o mundo de quem espera com paciência o momento certo pra não se arrepender das decisões tomadas. Só que até hoje, não me arrependo de nada do que eu fiz, e meu próprio instinto me diz uma coisa, enquanto eu racionalizo e penso outra. Me sinto mal. Me sinto vulnerável, me sinto sem nenhuma segurança, sem proteção de ninguém, tão aberta, tão indefesa, de um jeito que eu nunca senti antes.

A magia voltou aos poucos pra minha vida, com o intuito de me acalmar, de reencontrar o meu caminho. A cada jogo das cartas, eu vislumbro um brilho, um pequeno sinal de esperança de encontrar o que eu tanto procuro. A paz de espírito vai e vem como ondas fortes: em alguns momentos, me toma por completo. Em outros, foge de mim como o ar escapa dos pulmões… A cada novo ritual, penso em como posso fazer a diferença nesse mundo, mas me enxergo tão inerte que me sinto uma fracassada. A paciência realmente não é o forte de Satanáries, mas eu tento, dia-a-dia, ser mais estratégica, menos impulsiva, mais recolhida. Só que Vênus fica me empurrando por todo o meu mapa astral pedindo pra eu sair por aí, me arriscar de verdade, conhecer gente nova. Mas gente nova já andou me decepcionando.

Estou fervendo como um caldeirão por dentro, mas tento parecer mais fria por fora. Sai fumaça da minha cabeça de tanto pensar e, ultimamente, não chegar à conclusão alguma. Acho que, mesmo rodeada de pessoas que me amam, eu nunca me senti tão sozinha. Logo agora…

Ninguém contava que eu continuo Satanáries. E por isso, eu não desisto de ser positiva, otimista, de tentar me encontrar lá na frente. Ainda tenho vida pra ser vivida, e se tudo der certo, eu ainda vou conquistar o meu mundo, do jeito que eu sempre sonhei. Eu quero ser livre, eu quero ser aceita, eu quero ser estranha.  Quero olhar mais pra dentro de mim do que pra fora. Quero só meu cantinho pra ser Satanáries pra sempre.

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