REALINHAMENTO COM VINHO DAS ALMAS

Você já sentiu que, na sua vida, certas coisas acontecem quase que obrigatoriamente para que você passe por determinado processo de aprendizado e assim, “passar de fase” nesse jogo? Foi interessante como me veio forte a ideia de voltar para uma das minhas prediletas formas de auto cura. Voltar ao templo e tomar o vinho das almas foi uma dessas experiências mandatórias para clarear ideias, conceitos e reconhecer erros, falhas. Ao ser perguntada sobre o que eu gostaria de fazer no sábado, foi quase como se alguém soprasse: “aceite o convite do padrinho, ele está te chamando de volta”. Eu aceitei o chamado e fui buscar esclarecimento.

Respirar o ar do interior pela primeira vez em um ano foi recompensador: o local é rodeado por eucaliptos e muito bonito. O salão, octogonal, colorido, decorado por bandeiras, grandes mestres budistas, santos, anjos, signos cabalísticos… Lá, todas as crenças são aceitas, inclusive ateus são bem-vindos, afinal, a jornada é interior. O padrinho conduz um ritual que não tem dogmas, mas esse teve um pé na medicina chinesa, logo, tinha mantra budista, o que é ótimo: experimentar diferentes culturas e práticas espirituais e abraçar as que mais combinam com a gente.

Eu gosto do padrinho também porque ele realiza o Ritual do Pentagrama Menor para abrir os trabalhos e diversos banimentos ao longo das horas que passamos no templo. Tomei a primeira dose e me deitei. Fazia um calor terrível às 15h no interior do estado, e eu resolvi absorver esse calor pra mim quando a Força finalmente chegou. Eu estava deitada com as costas no colchonete, soltei os braços quando ela me abraçou: a temperatura subiu exponencialmente quando fechei os olhos e iniciei minha jornada interior. Via o rosto da minha melhor amiga sorrindo pra mim. A via vestida de branco, com seu jamapala em uma das mãos. Com a outra, pegou-me o braço e me guiou através de um túnel de luz azul e roxa. Me mostrou que estava em paz e me conduziu para uma sala com pedras em espécies de camadas simétricas e curvas, como uma caverna projetada digitalmente. Eu via uma membrana no chão, cheia de ectoplasma laranja e roxo, com braços tentando rompê-la. A membrana era turva, mas um pouco translúcida e pude ver a mim mesma lutando para sair daquilo que deduzi ser um casulo. Senti o corpo pesar e abri os olhos… Virei a cabeça para o outro lado… Ali, a caverna era transparente, como se fosse de cristal. Eu pisava em um chão de grama fresca e fria, mas sentia o corpo quente do sol sobre a cabeça na minha visão.

Quando saí dessa caverna, foi quando a membrana foi rompida. Eu sentia minha carne, sentia minhas veias e sentia muita dor nos olhos. Quando os abri, estava de volta no templo com uma irritação completamente anormal para a minha personalidade “satanáries budista”. O terapeuta acabou interrompendo minha visão enquanto instruía sobre o buda da medicina e eu senti um grande desespero por ter silêncio: me recordei dos meus próprios dedos batendo no teclado do laptop, as ligações, os áudios de whatsapp, tanta gente falando comigo, o barulho do público, de microfonia. Eu sentia um pavor muito grande. Corri para a área externa do templo. Sentei-me na grama o mais longe possível, até que eu só pudesse escutar o som da mata atrás da casa. Foi aí que me atingiu: um raio vermelho, amarelo, crepitante, como se eu estivesse dentro de uma fogueira. Enxergava a roda da fortuna, e nela, girava a roda zodiacal… Descendia e ascendia uma energia rosa avermelhada pelas costas. Algo dentro de mim tentou me tranquilizar e me acender para o futuro: ele existe, é brilhante e eu estou no meu caminho certo.

Ouvia na minha cabeça um mantra na voz do Krishna Das enquanto o silêncio ecoava pelo final da tarde… Eu ouvia os pássaros e uma voz veio na minha cabeça, me convidando a voltar para o interior do templo. Deitei-me novamente. Entrei em uma espiral de desabafo imediato: uma visão de luz vermelha, laranja e roxa irradiando dos meus chakras básico, sacro e coronário. E imediatamente assim eu tomei consciência do quanto eu estava desequilibrada espiritualmente. Eu estava manipulando energias no desespero de me proteger e na verdade, só estava piorando a minha própria situação energética. Pedi realinhamento e cura aos índios da mata, mas com tanto mantra chinês tocando sem parar, acredito que o que venho perto de mim foi Kali, como se buscasse me “consertar” ou até mesmo me “recriar”. Me mostrou o quão sensível eu estava a um tipo de energia que atingiu em cheio perto do final do ano. Fiz uma prece para a pessoa que continua descarregando suas inseguranças em um tipo de vingança cega, só pra poder pisar em cima de mim… Nesse momento exato, fui tomada pela posição de humildade e aceitei em meu coração transmutar essa energia tão escura e reciclá-la, torná-la uma energia do bem na vida dessa pessoa que, sente-se nas ações, está tomada por egoísmo e maldade. Eu procurei devolver o mesmo volume de padrões negativos de vibração em padrões positivos e saudáveis. E vi como eu resisti simplesmente por não me defender adequadamente dessas energias desde o início. Isso é da nossa natureza humana: tenta se defender não reagindo a nada e nem a ninguém. Ouvi pessoas no ritual reclamando da própria agressividade. Eu gostaria de reclamar da minha falta de agressividade, mas aceitei que é minha personalidade ser assim. Eu “deixo passar” e agora, além disso, eu mandei luz pra quem me deseja trevas.

Me sentei no chão. Não abri os olhos enquanto trocava de posição. Senti uma energia refrescante em forma de luz amarela tomar conta do meu interior e sentia-me alta, uma gigante, uma guerreira. No plano físico, eu me mantive sentada, mas no plano astral, fui transportada para uma sala escura, com um lago escuro, com seu perímetro iluminado por tochas de fogo. E eu caminhava com sandálias de tiras que me chegavam nas coxas. Um vestido com duas grandes fendas e uma adaga que emitia essa fortíssima energia do vermelho. Eu tinha uma experiência com alguém invisível, que acariciava minhas coxas enquanto eu me sentava na ponta de uma escada e me postava em posição de meditação. Era interrompida por beijos molhados de uma boca carnuda, que eu conhecia bem. Pensei num propósito para esse encontro. E entendi que é uma história que ainda não chegou no final e eu preciso parar de lutar contra isso. Aceitei esse destino e fui recompensada com essa luz amarelada, que vinha acompanhada de uma brisa maravilhosa.

Deitei-me novamente, olhos ainda fechados e meu totem me encontrou precisando de cura… Minha serpente vermelha rastejava pelo chão até encontrar meus pés. Subia por meu corpo esgueirando-se lentamente, fazendo com que eu sentisse suas escamas a tocar meu corpo. Quando a serpente enroscou-se em meu pescoço, senti-me confortavelmente livre e suspensa no universo por alguns breves segundos. Senti a alma esvaziar por um instante, e, no momento seguinte, eu ser inundada por uma paz sem igual. A planta me ensinou que meu processo de aceitamento é difícil porque eu confundo aceitação com não reagir. A planta me pediu para reagir mais. E não me sentir mal com a rejeição: meu futuro será brilhante e rejeição é apenas uma fase.

Senti que minha missão é lutar, é ser Marte, Satanáries por tudo aquilo que desejo. E preciso me lembrar que eu nunca precisarei ferir ninguém pra ter o que eu quero. Por fim, compreendi que também que outras pessoas devem passar por seus próprios processos antes da próxima etapa da vida. Neste ponto do ritual, eu estava deitada fazendo limpeza com lágrimas. Em dez anos de ritual, eu nunca vomitei. Nunca senti necessidade. Minha limpeza é mais com lágrimas e sorrisos. Joguei o o lenço que secou minhas lágrimas na fogueira e tornei a fechar os olhos: vi duas formas humanas que se misturavam. Juntei cada peça do meu quebra-cabeça e olhei de uma perspectiva interna. Me assustei com uma das conclusões a que cheguei. A outra eu já desconfiava que eu não tinha recebido advertências suficientes. E a segunda conclusão tranquilizou meu coração. Ouvi uma pergunta vinda de uma voz que eu conheço de um momento muito singular. Senti que estava nadando num rio de águas transparentes, esverdeadas. Senti o sal do mar. Senti uma presença de luz e paz muito grande. Lembrei-me dos meus sonhos com águas, com rios, com mar. Atravessei o rio a nado. Quando cheguei na margem oposta, abri meus olhos e eu olhava para um filtro dos sonhos. Me senti limpa. Curada. Com aceitações e convicções ainda maiores de quem sou eu e de qual é o meu propósito nessa Terra.

Foi um trabalho muito difícil de conduzir pela intensidade que a Força me acertava em cheio no peito. Quando me sinto assim, estou a um passo da vibração errada pra captar. E trabalhar o chá nesse limiar energético é uma luta muito grande. E os índios estavam ali adormecidos, mas me pediram pra voltar. E eu voltarei. Foi uma sabedoria diferente a que eu recebi como presente nesse ritual. Eu fui num ritual com referência budista não à toa: o exercício que todos os budas praticam é o do desapego e o cultivo da paciência. Se eu for paciente, eu viverei minhas vitórias pessoais.

MA DURGA

Om Shree Matre Namaha
I bow to the Mother
Jai Ambe Gauri, Jaya Shyaamaa Gauri
Hail to the/Golden Mother
Hail to the Black Mother

Jaya Jagatambe, Hey Ma Durga!
Victory to Ma Durga, the Mother of the World

Surround me with your loving arms…hold me in your heart.
Let me know that I am loved
and that I can love.
Show me that no matter where I go
That I come and go in You.
I am never out of your loving presence.
That you are the smile behind the smile,
the touch behind the touch
The kiss behind the kiss…
You are the constant presence that I forget until I remember
and when I remember my Self, I remember You.
I sing your Name. What else can I think of? You ARE Love.
And I AM You.

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