A VIDA É BIZARRA

A vida é bizarra. O ano está terminando e tudo o que eu quero é que acabe logo mesmo. Aliás, estou desesperada pra que termine logo… Cansei de 2016: ele teve pontos muito altos do ponto de vista profissional. Já do lado pessoal, foi um verdadeiro desastre. São essas coisas que tornam sim a vida um lance bizarro.

No filme “O Diário de Bridget Jones”, a atriz Reneé Zellweger cita um trecho do livro homônimo: “é verdade universal que, quando uma área de sua vida está indo muito bem, a outra se parte espetacularmente em pedacinhos”. Se por um lado, a vida profissional me sorriu com trabalhos e feitos magníficos – vários deles eram considerados por mim “sonhos de consumo” – por outro, minha vida pessoal simplesmente foi pro brejo.

Perdi contato com a pessoa mais querida pra mim nos últimos dois anos, e isso tá me doendo até agora. Me dói a promessa que eu fiz de não incomodar mais essa pessoa. Me dói a ausência dela, não ter mais o abraço dela, as piadas, o sorriso largo lindo, nem as mãos quentinhas de unhas roídas, a voz aveludada. É uma grande merda eu ter prometido não entrar mais em contato. É uma merda maior ainda eu ser chantageada e ameaçada para manter distância por uma pessoa pra quem eu não prometi nada. É uma merda sem proporções eu ainda ter que receber “atualizações” de terceiros sobre provocações dessa pessoa nas redes sociais, feitas mesmo pra me machucar e me deixar ainda mais triste. Eu juro que eu tento esquecer tudo, mas essa pessoa faz questão absoluta de me lembrar que ela será obedecida cegamente por algum motivo que eu desconheço. Porque não é por amor que eu sou ameaçada: é só pra eu “perder o jogo” e me sentir um lixo porque “eu quero o que não posso ter” ou “eu quero substituir o insubstituível”.

Perdi minha melhor amiga, que lutou com todas as forças contra uma doença rara, rápida e que foi letal. Dói não ter mais a minha bússola, a minha mentora, a minha irmã da vida. Dói eu saber que ela partiu sem conseguir realizar tudo o que queria. Dói muito eu ver as pessoas em volta remexendo e revirando a vida dela, escavando o passado dela, os motivos pras ações dela. Dói mais ainda saber que são pessoas do meu convívio, que eu descobri que não posso contar em hipótese alguma. Perdi as loucuras dela, os chamegos, os carinhos, as horas de conversa sem parar. Perdi os melhores conselhos profissionais, perdi as cenas em que ela confunde as coisas, mistura os idiomas que fala, e os mil sonhos e projetos em que ela me queria. Perdi o meu vestido de noiva, minha madrinha de casamento – agora mesmo que eu não quero casar nunca mais. Perdi a pessoa que me abriu a mente pro novo e a expandiu.

“Mas são duas pessoas de um universo de centenas que você conhece, Satanáries”. Pois é, mas são só as duas pessoas mais importantes pra mim. As duas que me ouviam de verdade, que me incentivavam de verdade, que me elogiavam de verdade. Uma amiga teve um sonho com essa que morreu, e no sonho, ela dizia que eu que tinha que tomar conta de tudo, que eu sabia de verdade como fazer tudo acontecer nesse plano. Eu até agora me incomodo e não me conformo com o desperdício da outra, que está com alguém que realmente não conhece de verdade. Se conhecesse, saberia que não existe só um ser humano “ciumento” ou “esquentadinho”. Saberia que, na verdade, é uma cobrinha esperando o tempo todo pra dar o bote por vaidade pura. Que é vingativa não só por insegurança, mas porque acha que tudo isso é um jogo e que, me “eliminando”, ela vence e leva o “prêmio”.

O que eu posso fazer? Nada. É o livre arbítrio de cada um que guia os caminhos da vida. É o que chamamos de “timing”, poderia ser diferente? Poderia. Mas não é, já é outro caminho, esquece o rumo que você deveria ter tomado. Tem caminhos mais longos, mais curtos, atalhos e uns que sem querer, te leva de volta pra perto de quem você deveria realmente estar. Os amigos de verdade voltam pra gente em algum ponto da vida. É só ter paciência, é só esperar.

Na verdade tem coisas que eu posso fazer. E estou fazendo: no caso da minha amiga, estou seguindo os passos que ela deixou incompletos. Estou evoluindo, pensando em como ela agiria em certas situações. Estou mantendo o que ela me deixou de herança e aprimorando meu conhecimento. Estou tentando dar sequência aos projetos não concluídos. No caso do meu amigo, estou mantendo minha promessa, o que acredito ser um sinal de boa fé e respeito à vontade dele. Estou me mantendo firme também às convicções e ao que ele me deixou de contatos pra fazer e pessoas para conhecer. Prometi ajudá-lo, ajudar a empresa da qual ele faz parte e eu fiz isso essa semana, com muito orgulho, muita alegria e, ao mesmo tempo, com uma pontada na alma por ele não poder testemunhar isso tudo do meu lado. Acho que ele nem precisa saber que eu fiz tudo isso. Não precisa mesmo, o importante é que eu fiz e tenho minha consciência tranquila de cumprir com o que eu prometo. Mas que eu queria ouvir a voz dele, as novidades da vida dele, ahn, como eu queria! Faz uma falta imensa!

A vida realmente é bizarra.

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