CAIXAS DE PANDORA

A vida da gente tem uns momentos estranhos né? Hoje se encerrou mais um ciclo, o da empresa que eu trabalhava uns anos atrás. Era dela. Uma espécie de caixa de Pandora foi aberta nas últimas semanas, pipocaram várias histórias desconhecidas. Surgiram motivos e justificativas para as ações dela. E essa semana eu entendi finalmente razões pra ela manter alguns segredos: INVEJA.

As pessoas têm inveja da grama do vizinho, que parece ser mais verde. Têm inveja daquilo que não são capazes de conquistar. Têm inveja dos momentos felizes que não conseguem manter, porque são falsos. Eu fui entender essa inveja só hoje, quando aconteceu comigo, com as mesmas pessoas das quais ela se protegia. E eu finalmente entendi a inveja das pessoas cerca de quatro anos atrás, quando um monte de palhaçada foi inventada usando meu nome.

Pessoas invejosas conquistam na “força bruta” aquilo que deveria ser conquistado por meritocracia. Algumas delas passam ilesas por essa atitude, outras caem na rede do troco que a própria vida dá. Profissionalmente, hoje eu testemunhei esse troco da vida, essa vingança silenciosa. Destruir um legado inteiro porque desconhece o que foi liberado por Pandora é ser burro. Apagar uma história inteira construída com suor, com vontade, com paixão é no mínimo patético. Pandora libera seus esqueletos no armário, e não se engane: todos nós temos esqueletos guardadinhos, que após nossa partida, são revirados em busca de algum tipo de recompensa ou herança, seja ela palpável ou não.

Alguns têm telhado de vidro e não percebem isso. Aliás, o telhado é mais de vidro do que de outros, que é um pouco mais blindado. Quanto mais hipócrita a pessoa, mais telhado de vidro essa pessoa tem. E, como diz a Bíblia, que atire a primeira pedra aquele que não tiver pecado.

NINGUÉM pode atirar a primeira pedra. Ninguém é santo nessa vida. A maioria que se vende como santo, é feito de pau oco. E quanto maior o drama dos santos do pau oco, maior é a mentira que eles vivem.

Quando a minha caixa de Pandora for aberta, meus esqueletos surgirão. Mas não serei mais eu quem terá que lidar com isso. Eu terei partido. Então, quando alguém parte da vida da gente, o que temos que fazer é deixar esses esqueletos onde eles pertencem. Ninguém precisa abrir a caixa. Porque na caixa podem ter coisas com as quais os vivos não são capazes de lidar, e sabe o motivo? Porque não são eles que têm essa obrigação, era o dono da caixa. Ficar com as melhores lembranças, as qualidades, virtudes de uma pessoa, os bons momentos, isso sim é o que conta. Ficar com raiva? Quem pode te explicar cada esqueleto encontrado no seu armário? Só você pode.

Pior do que isso ainda: caçar esqueleto de quem tá vivo, de quem detém a chave da caixa. Puta trabalho inútil.

Hoje eu me senti feliz: com esqueletos ou não, eu, cada dia mais, me orgulho das minhas capacidades e qualidades. Meus defeitos eu tento melhorar, mas também não sou hipócrita de esconder. E vários dos meus defeitos, em algumas ocasiões, são na verdade qualidades, e vice-versa. Se nos aceitarmos como somos, seremos muito mais felizes.

E hoje EU SOU FELIZ como eu sou. Dó eu tenho de quem resolver abrir minha caixa, agora ou ou quando eu partir: sem explicações, fica difícil de entender os meus esqueletos. E os meus são complexos, mas não me causam vergonha. São apenas provas de que eu vivi a minha vida como eu bem entendi.

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