COMO DOIS MARGINAIS

Há algum tempo atrás, eu escrevi um conto que se perdeu por aí… É difícil de acreditar, mas várias das palavras dele, como eu escrevi, voltaram na cabeça em forma de sonho. É um conto tórrido. Palavras foram vazando pra dentro do meu subconsciente. Uma chama ascendeu e chorou por causa do vento. Ao lado da chama eu me inspirei novamente.

Segue um conto inspirado em outro conto. Acho que eu nunca tinha feito isso escrevendo. E resolvi das nomes a uma das personagens.

Nana andava de um lado para o outro naquele apartamento. Ouvia uma música ao fundo que falava da súplica de um homem para não ser magoado e para ser amado, mesmo que de maneira proibida. Resolveu fazer café enquanto os primeiros raios de sol invadiam as grandes janelas sem cortinas do apartamento. A luz batia no chão de taco e esquentava aquele dia um pouco frio. Vestia uma top apertado e calças largas de moletom. A maquiagem dos compromissos do dia anterior ainda borravam seu rosto.

Sentou-se com uma grande caneca de café, buscou com as mãos preguiçosas o laptop e começou a ler mensagens sobre trabalho. Abre uma aba no navegador e assiste ao noticiário da manhã. Os primeiros sons urbanos começam a aparecer: o número de carros aumentando na rua, sirenes, pessoas. As horas passam chatas. Baseados, cigarros, taças de vinho depois, já não conseguia mais pensar. Deitou-se para ler um livro. O interfone tocou, no meio da tarde. Manda subir. Abre a porta e lá está: o homem pela qual ela poderia perder a cabeça por quantos dias ele quisesse. Havia uma relação estranha naqueles dois, em alguns momentos até pareciam irmãos, e de repente ele a tocava e o mundo explodia a cada arrepio na pele.

Ele não disse nada. Tomou Nana nos braços e passou a beijá-la com paixão… Um beijo molhado, delicado e selvagem ao mesmo tempo; era o beijo dele e o toque das mãos no corpo que a faziam tremer mais do que qualquer outra coisa acontecendo pra dentro daquela estratosfera. Era mais estranho explicar essa sensação do que uma teoria de física. Ela sentia tudo aquilo e não ignorava, e, a cada investida mais contundente daquele homem, mais longe ela viajava naquela sensação. Empurrou-a contra a parede, sem desgrudar dos lábios ou desembaraçar as línguas. Com uma mão segurava o rosto de Nana, com a outra puxava uma coxa e apertava contra si.

Nana pulou no colo dele. Ele a segurou e aquele beijo molhado continuava no caminho para o sofá da sala. Não dava para saber mais quem começou a se despir primeiro, ambos já estavam ficando nus pelo caminho. Ele se sentou e colocou Nana em seu colo: tudo ia se encaixando perfeitamente, como uma engrenagem de carne. O corpo de Nana balançava num ritmo delicioso, e ele a segurava pelos quadris e mantinha os olhos fixos nos dela. Eles sorriam um para o outro. Ele mordia os ombros tatuados dela como um leão capturando uma presa.

Aquele homem tinha olhos de caçador. Ele caçava sensações cada mais mais prazerosas e obscuras, alternando mãos, beijos, fluidos. Não era mais possível parar. Uma caixa de Pandora abriu-se naquele ambiente. Os demônios de ambos dissolviam-se em agonia adocicada. E os últimos raios de sol sumiram enquanto trocavam carícias e palavras impronunciáveis. Tinha gosto de suor, de perfume, cheiro de xampu, misturados com a fumaça de cigarros mal apagados no cinzeiro. Se pudessem, dali nunca mais sairiam. Ele sentia a brisa leve da noite entrando pelas janelas abertas, de privacidade devassada. Ele sentia a brisa do que estava fazendo: sexo como nunca havia feito em sua vida. Ele via sombras dos dois se contorcendo na parede. Ele conseguia sentir a energia correndo por todas as veias do corpo, explodindo tudo aos gritos e urros.

Quando tudo parecia ter chegado ao seu clímax particular, ele a escala como um gato manhoso e a beija novamente, aquele mesmo beijo molhado, mas mais delicado. As mãos percorrem levemente o corpo de Nana, que se deixa envolver. Tudo recomeça em pouco tempo.

Mas o tempo já tinha ficado pouco. E logo ele se foi. Os sonhos foram permeados daqueles momentos de segredos, marginalidades, sensações ocultas. Era impossível não querer mais o tempo todo. Quando a porta do elevador se fechava, parecia que um filme passava pela cabeça de ambos sobre o que tinham acabado de viver.

E viver assim nunca matou ninguém… A não ser de prazer.

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