ALL IN EM VOCÊ

Às vezes eu não entendo a lógica da vida, do nosso propósito. Conhecemos tantas pessoas ao longo da jornada, e é só no final dela que curiosamente entendemos quem realmente esteve ao nosso lado e quem não.

Às vezes, não precisa levar esse tempo todo. A gente sabe, só sabe.

Teve um ano que foi o verdadeiro caos. Eu estava assistindo minha vida desmoronando de camarote, por coisas que não tinham a ver comigo. Eu virei um efeito colateral da vida de outra pessoa. Várias pessoas viraram efeito colateral, várias vidas estavam desmoronando. Alguém me disse que não apostava em quem era mentiroso. E apostou em mim. Como você pode libertar uma alma que vive colada na sua? Estamos juntas há sete anos, todos os dias, de um jeito ou de outro. Mais que família, mais que namorado, mais que outros amigos. Computadores, música, planilhas, vinho, cama: a gente já dividiu de tudo nessa vida.

Todas as alegrias, vitórias, frustrações e tristezas. Estávamos juntas sempre. Aí o mundo fica todo errado. Tá tudo errado. Vem uma doença que ataca uma pessoa que vivia a vida tão intensamente que não dava tempo de parar pra respirar ou fumar um cigarrinho. Alguém que raciocina rápido, é difícil acompanhar. De repente, travada, numa cama de hospital. De repente, nenhum músculo se move. De repente, arrancam-lhe a voz. E os olhos tentam falar com lágrimas, desesperados. Tentam pedir ajuda. E aí você vê a vida de quem te deu a mão desmoronar, e ambas assistem de camarote. É horrível não ter como ajudar a quem tanto te ajudou por pura impotência diante das circunstâncias.

A gente vive pra música. Nós duas respiramos música o dia todo. É nosso trabalho, nossa vocação, nosso espelho da alma. Pra tudo a gente tem música, playlist: pra trabalhar, meditar, relaxar, transar, produzir. E quando eu olhei pela última vez, eu lembrei dessa música aqui embaixo. Não importa o estilo musical, importa a poesia. Que o sol possa te resgatar, mas se não for da vontade do Universo, dorme serena e sonha.

Eu vou continuar tudo o que foi começado, vou até onde puder ir. Vou tocar o que eu conseguir. Mas vai sair muita cor desse mundo que você me apresentou. Vai sair muito brilho do som das músicas, os shows serão diferentes. Vai ser difícil não te abraçar em cima de cada palco que a gente poderia dividir.

Eu tive um sonho. Sonhei que estávamos todos nós, que você, mana, conhece. Todos te abraçavam, em cima de um palco, com um canhão de luz apontado pra você. Aí você contou pra gente que precisava ir, pra não nos preocuparmos, que você estava bem. Minha mãe te acompanhou quando você saiu do palco. Sinto quase nada da sua energia, do seu coque, do seu rabo-de-cavalo, dos seus pitis, dos seus abraços apertadíssimos e do seu sorrisão… Really? Tá mesmo na hora? Não é esse o plano. Tem mais coisas que ficamos de fazer juntas.

Nas próximas horas, se é tudo ou nada, eu vou apostar no tudo. All in em você, mana. Você me prometeu. Fica. Por favor, fica. Porque eu não aposto em mentirosos, e você nunca mentiu pra mim. E se você for, parte de mim vai junto. Cada momento do seu lado virou aprendizado. Cada problema resolvido, a cumplicidade de quem tá junto pra qualquer coisa. Cada vitória foi linda e cada derrota nos deu chance pra novos caminhos, mas sempre os que levavam a um acorde. Cola na minha alma, que nem você sempre esteve e fica por aqui mesmo. A bruxa reza pelo que for melhor pra você. Satanáries é mais egoísta, reza só pra você ficar.

De onde é que vem esses olhos tão tristes?
Vem da campina onde o sol se deita
Do regalo de terra que o teu dorso ajeita
E dorme serena, no sereno sonha

De onde é que salta essa voz tão risonha?
Da chuva que teima, mas o céu rejeita
Do mato, do medo, da perda tristonha
Mas, que o sol resgata, arde e deleita

Há uma estrada de pedra que passa na fazenda
É teu destino, é tua senda, onde nascem tuas canções
As tempestades do tempo que marcam tua história
Fogo que queima na memória e acende os corações

Sim, dos teus pés na terra nascem flores
A tua voz macia aplaca as dores
E espalha cores vivas pelo ar
Ah, ah, ah
Sim, dos teus olhos saem cachoeiras
Sete lagoas, mel e brincadeiras
Espumas ondas, águas do teu mar
Ah, ah, ah
êeh laiá

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