BEM X MAL

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Esta frase está em “O Pequeno Príncipe”. Podemos aprender tantas lições dessa frase, e nos esquecemos tanto dela…

Para bruxos e magistas, esta frase é uma das interpretações da Lei Tríplice. Meu pai me obrigou a ler esse livro super novinha, e claro, eu sempre fui muito fã do desenho animado – sim, existiu uma versão de animação de “O Pequeno Príncipe”. Somos responsáveis pelo que plantamos, logo, quem planta trovão, colhe tempestade, certo?

Os demônios do dia-a-dia estão presentes na vida de todos os seres humanos: contas a pagar, trabalho, amigos, família, amores. Algumas pessoas, sem querer, entendem e assumem a responsabilidade por aquilo que cativaram. Outras, não. A vida nesse ponto é cruel porque também existe aquele ditado que diz que “Deus dá asas a cobras”. Verdade, viu?

Nós, no ímpeto de nos protegermos, acabamos dizendo coisas que deveriam ficar no esquecimento. E fazendo coisas das quais não nos orgulhamos. Mas será que existe um limite entre atacar para se proteger e atacar por falta de caráter? A minha resposta pessoal é SIM.

Existem aqueles que, por medo de perder o que já conquistaram, tentam afastar o que pode prejudicar suas vidas, e fazem o mal mesmo que de forma indireta. Existe uma razão perfeitamente plausível. São aquelas pessoas que pedem, que demandam do fundo de suas almas que determinados acontecimentos não se repitam por amor, por paixão, por dedicação ao que estão fazendo de suas vidas. Absolutamente compreensível. Mas existe aquele lado B, que, não importa o quanto já foi pedido e FEITO para que isso não aconteça, a falta de caráter agora faz com que a máscara caia – infelizmente, não pra quem mais interessa, mas pros lados mais fracos dessa corda – e o verdadeiro vilão se faça presente com ameaças, com mentiras, com torturas psicológicas, apenas pelo prazer de ver o próximo sofrer.

Ao realizar uma autoanálise, percebi que tinham coisas que fiz que foram até certo ponto egoístas, mas não tiveram intenção ou objetivo de se causar mágoa. Nessa autoanálise, notei que eu tive sim atitudes condinzentes com alguém que não possui caráter ruim para machucar o meu próximo. E que, quando me é solicitado, por motivos nobres, que eu saia de um caminho, eu simplesmente o faço. Este recuo custa muito mais do que queremos ou podemos pagar, mas pagamos mesmo assim. Os que, de fato se preocupam com seu próximo, pagam o preço, porque causaram dor sem querer, direta ou indiretamente.

Lobos em pele de cordeiro. Tão curioso ouvir isso e saber que não é isso que somos. Existe um terceiro ditado, que diz que, quando apontamos um dedo para acusar, dois estão pro acusado, enquanto TRÊS estão apontados para nós mesmos. A maioria não percebe, mas o faz. O acusador tem mais culpa do que o acusado em certas ocasiões. E é aí que o acusador sim se mostra um verdadeiro lobo em pele de cordeiro, uma cobra com asas que não merece, o próprio responsável pelo resultado negativo que se apresentou em sua vida – ETERNAMENTE responsável por aquilo que cativas.

Fazer o mal não requer sacrifícios. Requer outras características: dissimulação, falsidade, maldade. Quem faz pra prejudicar, ri sozinho do mal que está causando. Sabe que está causando um mal direto, tem a real noção do que está fazendo e como está agindo. O faz porque gosta, porque quer e porque se deleita com o sofrimento alheio. Triste, muito triste. Ser bom, pensar em coisas boas pra quem quer o nosso mal exige muito mais sacrifícios. Exige saber pagar pelos próprios erros e atitudes, exige se olhar no espelho e fazer autocrítica, exige respirar fundo quando quer se combater o mal com outro mal e tentar devolver o bem. Ser bom é difícil pra caralho.

É o famoso “piso na cabeça de quem for pra conseguir o que quero”. Causa danos colaterais, em pessoas que não merecem ser envolvidas, pelo simples “porque sim” ou “porque eu quero” ou “porque eu posso”. Demonstrações desnecessárias de força só acontecem quando existe um prazer sombrio nessas ações.

Será que existe um limite ético de avisar quem está próximo desse tipo de gente? Até existe. Mas pra isso, em certas ocasiões, existe também o livre-arbítrio. Estamos rodeados de pessoas boas quando somos bons, e os maus se aproximam apenas pra fazer o mal. Quando estamos rodeados de pessoas más, é porque gostamos disso também, e acabamos por repelir os bons, por deixá-los de lado em detrimento de atrair o mal para si, mesmo sem querermos. Existem os inocentes, que pensam estar próximos de pessoas boas, mas essas são tão dissimuladas que é difícil enxergar a máscara cair.

E cada um decide o que fazer com o tempo que tem aqui na Terra. Eu decidi espalhar o bem, decidi fazer rir mais do que fazer chorar. Decidi amar mais do que ser amada. Decidi perdoar quem me faz mal. Decidi acertar mais do que errar. Ser justo também é difícil, porque às vezes requer o combate de fogo contra fogo. Mas eu prefiro sempre a paz à guerra. Sinto pena de quem desperdiça seu tempo de viver coisas boas para ferir os outros. Sinto tristeza em constatar que pessoas que podem ser boas caminham ao lado de pessoas ruins. E que, infelizmente, essas pessoas ruins só mostrarão quem realmente são quando resolverem descartar quem está ao lado. Mais do que isso: pessoas de potencial para viver grandes coisas em suas vidas estão cegas por alguma razão. E não nos cabe julgá-las ou fazê-las enxergar a verdade. Elas não querem. Elas preferem assim. Então, como se diz na wicca, que assim seja.

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