NOTAS SOBRE A COVARDIA

A covardia é uma coisa que me irrita diariamente, nas pessoas e em mim. Eu simplesmente me odeio nos dias que eu sou covarde, porque Satanáries é o oposto disso. Satanáries se joga, supera seus medos, é corajoso, bravo, insistente, persistente, perseverante, teimoso da porra…

É sempre quando eu me acovardo que eu me sinto um verdadeiro lixo humano. Me sinto imprestável. E, em casa, meu pai sempre fez a gente enfrentar os medos.

Eu sou uma Satanáries com o modo de defesa ativado, ainda mais de uma semana pra cá. Estou sempre tentando me defender de alguma coisa. E, quando é pra “atacar”, eu pondero tanto que às vezes perco oportunidades importantes. A minha covardia profissional, por exemplo, me fazia sempre ter pavor quando aparecia uma oferta de trabalho magnífica, de salário incrível. Eu pensava, ponderava, repensava e declinava, alegando sempre que não poderia abandonar a equipe de onde eu já estava. Com isso, perdi cargos interessantes, que poderiam ter me feito uma mulher rica provavelmente.

Mas isso é porque o ariano é fácil de ser feito de trouxa. Satanáries parece um bicho intimidador, mas é um verdadeiro trouxa. Acredito inclusive que, de toda a roda zodiacal, Satanáries é o bichinho mais inocente deles. Palavras bonitas cativam o ariano. E ele se ilude e pula de cabeça nas coisas. Comigo, no profissional pelo menos, sempre foi assim: “eu vou te dar um mundo de possibilidades pra sua carreira” e pronto, lá estava eu suando, sangrando e chorando pela empresa. Aí aparecia algo interessante e claro: “temos o cargo xis, salário y, carga horária de trabalho z”, eu passo achando que é melhor eu ficar onde estou.

É curioso porque eu levo pro profissional as frustrações da minha coragem pessoal. E ultimamente, as coisas estão ao contrário. Eu tenho muita coragem pra mudar profissionalmente, mas nenhuma pras mudanças pessoais que eu julgo necessárias. Covardia mode: on.

Aí em a covardia das pessoas, e a que mais me irrita tem a ver com o bullying, sempre coletivo. E o bullying solitário se esconde, na verdade, em ações que tiram pessoas da jogada com chantagem emocional e psicológica. Isso é inaceitável! Uma coisa é a gente não ter a nossa coragem pra tomar uma atitude e simplesmente não tomá-la. A outra é agredir pra não tomar a tal atitude. Especialmente quando o assunto em pauta são sentimentos mesquinhos, como inveja ou ciúmes.

O covarde dessa linha tem tanto medo de “bater”, que ele morde, assopra, depois morde, arranca um pedaço e se esconde atrás de outro animal mais forte, que provê abrigo ou apoio moral. Quanto mais apoiamos covardes assim na sociedade, pior nosso mundo fica. Eu tenho um problema sério com isso, me revolta muito, especialmente por já ter sido vítima desse tipo de gente por um sem número de vezes.

Na escola, tava claro que era um misto de inveja com ciúmes. Eu sempre fui estudiosa, tratava professores e funcionários com respeito e admiração e, de volta, ganhava boas notas, elogios ao meu comportamento reto, ao meu caráter. Isso desperta ciúmes de quem não conseguiu colher bons frutos se plantou coisa podre. E eu me desenvolvi fisicamente como mulher muito rápido, por causa da menstruação, aos 10 eu já tinha um corpo de uma adolescente, e isso causava inveja em quem estava ansioso por isso. Junta a fome com a vontade de comer: meninos e meninas acabavam com a minha raça diariamente.

Mas não precisa de uma horda de diabinhos desse pra fazer um estrago imenso na cabeça de alguém: basta uma pessoa, incentivada por outras, que bate e se esconde. E essas são pessoas patéticas. É até triste ver como elas agem. São sorrateiras, e agem por desespero de atenção. Precisam estar no topo, não importa em quem pisem. Porque, senão estiverem no topo, ficam miseravelmente mal consigo próprias. Porque ter a si próprio, ser seguro do próprio caráter, das próprias qualidades, no caso desse tipo de covarde, não basta. Eu tenho um exemplo dessa covardia. É tão antiga que até a Disney reproduziu uma história sobre ela: Branca de Neve.

No conto original (mais adulto) da Branca de Neve, em específico, a rainha má não está tão preocupada com o poder. Ela chega de mansinho, se faz de vítima, frágil, vulnerável e boa pessoa pro rei e pra Branca de Neve. Ele se apaixona e se casa. Ela o mata. O poder, ela ganhou, poderia parar por aí? Poderia. Mas ela é insegura, patética, triste, ela não se basta. Pra se bastar, ela precisa ser A MAIS BELA DO REINO. O que ela faz? Ela tenta matar Branca de Neve, que foge para a floresta. E fica puta com isso. Ela não quer ser bela, ela quer ser temida pelas “menos belas” e, as mais belas que ela, pouco a pouco são eliminadas, pra “não ter concorrência”. Exemplo fácil esse de covardia né? Porque a rainha má se esconde atrás do poder de rainha que tem, se esconde atrás do espelho mágico dela, que, apesar de sincero quando perguntado se ela é a mais bela de todo o reino, fica ali como um goblin maldito cutucando ela sobre o que fazer pra eliminar quem é “melhor” que ela.

Me incomoda quando eu sou covarde. Mas eu não teria cara pra sair de casa se eu fosse ESSE TIPO de covarde. Mas, assim como no conto de Branca de Neve, nada disso se sustenta por muito tempo. Porque sempre vai aparecer alguém “mais bela”, e o covarde que não se basta não consegue eliminar todas numa única vida.

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