SONHOS COM MUROS

Tem algumas noites que eu venho sonhando com muros, prisão, coisas proibidas. Por ter pai virginiano psicólogo, gosto de contar alguns sonhos pra ele interpretar as mensagens que meu subconsciente fica me mandando.

Por algumas semanas, tive muitos sonhos envolvendo água corrente e crianças. Eu já estou até com saudades desses sonhos bonitinhos. Essa noite porém, eu sonhei que estava num lugar em que fazia muito calor. Eu andava pela rua de short e parte de cima de um biquíni – só em sonho mesmo, porque lá eu tou com a autoimagem que gostaria de ter: linda, maravilhosa, corpo de miss – e coturnos bem altos. Tem uma blusa amarrada na minha cintura, o meu moletom de gordinha, que eu adoro e que uma amiga me trouxe de um festival na Alemanha. Estou de óculos escuros e o horizonte treme com as ondas de calor.

Eu chego no final de uma rua que contém um muro e uma torre de vigilância. Tem arame farpado no entorno do muro; por alguma razão, eu empurro um pesado portão de ferro e entro. Chego a um pátio aberto com alguns bancos. O portão atrás de mim se fecha e uma voz me diz que eu não tenho mais como sair. Olho em volta e não estou sozinha. Surge um homem, alto, moreno.

Ele me pede desculpas por me colocar na prisão. Diz que a culpa é dele e não minha, que ele precisou confessar tudo e me beija longamente a testa. Depois ele me dá um abraço muito apertado. Eu digo que não tem problema, que a gente consegue sair daquilo, afinal, ninguém me impediu de entrar lá. Ele diz que isso não é possível, que eu fui enganada para entrar ali por vontade própria, porque eu sabia que ele estaria lá. Eu disse que não fazia ideia da presença dele lá dentro.

Pego ele pela mão e tento abrir o portão. Nada. Quando eu olho pra trás, não tem mais ninguém. Estou sozinha. Vou até uma parte do muro e tento escalar. Minhas mãos sangram. Seco o sangue com o meu moletom alemão.

Ouço vozes randômicas, que não consigo distinguir, me dando conselhos, dizendo pra eu me conformar e ficar presa. Eu respondo de volta que eu não vou ficar ali, ainda mais sozinha e com um monte de vozes me perturbando. Sinto sede. Num canto do pátio, tem um balde enferrujado com água dentro. Fico tentada a bebê-la, mas algo fica repetindo que está envenenada e que eu vou morrer, ou de sede, ou por envenenamento se tentar beber daquela água.

Contorno o muro interno do pátio, caminhando em busca de sei lá, uma passagem secreta, talvez. E o que eu encontro é uma espécie de “balcão de informações”. Lá, uma mulher muito malvada me diz que as crianças se foram porque tinham medo de mim. Que a água secou porque estava com medo de mim e que meu destino era morrer naquele pátio deserto. Sinto que vou desmaiar.

Quando vem na minha cabeça um plano maluco. Existem bancos no pátio. Eu começo a empilhar os bancos, um em cima do outro. Eles alcançam o arame farpado! Eu subo por eles, passo minhas pernas pelo arame e salto de lá de cima pro chão. Sinto uma picada nas minhas costas. Quando eu atinjo o chão, verifico que estou ferida: uma flecha (!) me atingiu nas costas. Estou ensanguentada nas mãos, e agora nas costas. Começo a caminhar pela rua novamente.

Chego ao meu carro. Entro, dou a partida, e saio dirigindo por aí. Quando me canso e o sangue estanca, eu encontro água limpa. Tomo pouca, porque li nos livros que, quando você está pra morrer de sede, não pode tomar água demais; só o suficiente pro corpo despertar. Não sei onde eu parei pra beber água, sei que sai de uma mangueira verde e é gelada. Acordo.

No mundo esotérico, sonhar com uma prisão significa a perda de uma pessoa da sua confiança, um amigo ou então que uma situação de amizade ou amorosa é mal compreendida por terceiros. Puta que o pariu! Já sonhar com muros significa que você está sendo protegido de algum mal que estão querendo lhe fazer. E, quando se escala um muro nos sonhos, significa que você está se esforçando pra alcançar seus objetivos. Sonhar que está com sede e não beber água pode significar insegurança, mas quando eu bebo a água da mangueira, significa que eu tenho clareza nos meus desejos.

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