UMA BRUXA PENSA NO BEM

É difícil ser uma pessoa do bem, uma pessoa boa. Acho que todo mundo sabe disso. Todos os dias coisas acontecem que fogem do nosso controle e, mesmo quando queremos ser bons, às vezes precisamos ser maus. Agora pense em uma pessoa que é capaz, pelo poder que lhe é concebido, tendo a obrigação de ser boa. Assim é o voto de uma bruxa. A “maldade” só pode ser executada em última hipótese, como forma de defesa.

A bruxa nunca pensa em si. Ela nunca tá pensando em si. Ela pensa no bem-estar das pessoas, dos bichos, da natureza de forma geral. A bruxa faz tudo por todos, não pode fazer por si: ela não pode abrir tarô, não pode consultar oráculos em geral em benefício próprio, não pode preparar cerimoniais e rituais com objetivos egoístas. Uma bruxa, quando recebe o mal, deve respirar fundo, esquecer a raiva e enviar boas vibrações aos que se consideram seus inimigos. Mesmo quando quem direciona o mal quer seu mal físico.

Hoje eu fiz um pequeno ritual. Colhi algumas flores, comprei velas brancas, tomei um banho de alecrim, acendi um incenso de canela e pedi pra trazer paz pra minha vida e dos que me rodeiam. Pedi saúde porque a minha não anda boa na última semana, pedi que minhas amizades sejam fortalecidas. Pedi paz de espírito pra quem se diz meu inimigo.

Tem gente que nasce na vida com um alvo desenhado na testa. Eu sou uma das agraciadas com essa merda. Quando criança, fui vítima de bullying, de violência. Não é o bullying com apelidinhos, troca de provocações; era bullying de apanhar, de levar pedrada. Quem me conhece mesmo, sabe que eu sempre fui hostilizada por ser a babaca certinha, a nerd, a que vivia lendo no intervalo. Eu entrava pra casa no horário. Eu estudava mesmo não precisando ou não tendo prova.

Meu primeiro beijo virou motivo de hostilização no clube que eu frequentava, porque era o menino mais cobiçado da “turminha”.

No começo da adolescência, foi o namoradinho que despertou algum tipo de gatilho. Eu era constantemente abusada verbalmente por meninas do colégio, da vizinhança, amigas dos meus amigos: eu era a esquisita, a que não se maquiava, mas eu namorava o galãzinho da vizinhança.

Na faculdade, eu fui isolada pelos meus colegas porque eu reclamava do barulho durante a aula – quem trabalha em dois empregos pra pagar a faculdade que papai tá pagando pro babaca que fica de papo no meio da aula quer se concentrar. A coisa piorou quando eu fui dispensada de uma matéria porque o professor considerou desnecessária pra mim já que eu sabia o conteúdo. Aí eu tive que pedir transferência de sala pra viver em paz.

Meu ex-marido se gabou pros amigos quando contou que me trocou por outra mulher e me tirou de casa depois de uma jornada de mais de 12 horas de trabalho, numa terça à noite. A mãe dele achou graça quando descobriu que eu estava passando fome na minha casa.

No trabalho, as pessoas me deixavam de lado porque aí eu tinha engordado e passei por anos de obesidade mórbida. Quando eu perdi peso e me destaquei, virei alvo fácil de especulação e mentira de novo.

E eu estou aqui, e continuo desejando pra essas pessoas, que de alguma forma quiseram me prejudicar ou criar mentiras a meu respeito, ou fazerem da minha vida um inferno, que elas fiquem bem e que nunca tenham de passar pelas situações horríveis que eu já passei na minha vida. E acho que só continuo aqui porque eu peço isso sempre que posso: paz de espírito pra quem se atormenta pelo que eu sou, como eu vivo ou me comporto. Uma boa bruxa sempre pensa no bem.

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