FIM?

Eu tou passando tão mal que acho que vomitei absolutamente tudo o que eu comi. Minha cabeça tá dando mil voltas. Eu saí de um bom dia pra uma noite de provável insônia e demônios me atormentando a cabeça o resto da noite, do dia, da semana, do mês… Eu não sabia fazer nada disso. Eu sempre me pautei pela vitória por inteligência, eu sou inteligente, não é possível.

Fiquei pensando muito em como eu virei um carneirinho manso ao longo dos anos, daí eu me rebelei, fui apoiada em vários aspectos e depois eu caí humilhada por algumas vezes. Eu sei que não são todas as situações em que a gente pode ou deve ser sincero, isso é a convenção da vida: por etiqueta ou por noção de viver bem em sociedade, a gente não fala certas coisas.

Tou me sentindo muito estranha.

Eu não nasci pra machucar pessoas. Nasci pra ser a palhaça da turma, a boboca, a sonsa, o menininho. Pra ser amigável, criar lindos laços, vínculos profundos. Não nasci pra ser uma “bitch” de caráter, então eu não sou uma. Mas eu conto demais a minha vida pras pessoas, eu me abro muito, eu falo porque eu não tenho o que esconder de incrivelmente bizarro. Eu sou uma pessoa do bem, eu me considero uma pessoa do bem, nunca quero o mal de ninguém, mesmo que me usem pra atingir pessoas por pura pirraça. Sabe o que mais me magoa? Que eu realmente não sou filha da puta, nunca fui – e sou amplamente famosa por ser uma anta emocional, eu faço muita coisa e vivo muita coisa de corpo e alma, adoro mergulhar no risco – e mesmo assim, eu vou virar uma na boca de quem não me conhece de verdade. Eu deveria ser mais moralista pra não criar uma confusão? Eu deveria ser menos eu?

Porque na maioria das vezes na minha vida, quem sai perdendo tudo sou eu. E meu estômago fica revirando porque eu não quero perder uma pessoa que imagino fortemente que eu vou perder. Dá vontade de gritar de tão triste que eu tou. Mas eu não sei se é tudo tão errado assim. Ou se o errado é o certo. Ou parece-me certo. Eu não tenho poder de decisão nenhum.

A gente toma decisões todos os dias, toda hora do dia, das ações mais fisiológicas às coisas mais subjetivas; eu consigo entender o peso da minha última decisão – pensando em melhorar as coisas, o que eu não consigo é entender uma decisão da qual eu não vou poder fazer parte. Eu, sendo muito sincera, tou me sentindo injustiçada. Não sou nenhuma coitada, é só a minha opinião; juro. Eu falo o que eu sinto e o que eu sinto é que coisas na vida são uma puta de uma injustiça acontecerem.

Por outro lado, eu acho que eu estou mentindo pra mim de alguma forma, e eu acho que sei o que é. Às vezes eu queria voltar a ser criança e ficar criança pra sempre. Não queria ser mulher, não teria que pensar coisas, sentir coisas, viver coisas. Não queria ter tanta coisa agora engasgada. É o doce que a gente não quer que vire amargo. Doce, só isso.

No meio do que uns chamam de mentiras, eu acho uma porção de verdades que parecem pequenas, mas que são imensos elefantes na sala de estar. A primeira coisa: pra cada ação, temos uma reação, isso é física pura – a Terceira Lei de Newton diz que “para toda interação, na forma de força, que um corpo A aplica sobre um corpo B, A irá receber uma força de mesma direção, intensidade e sentido oposto” . Quanto mais se proíbe, mais se quer fazer. Quanto mais certo, mais errado. Quanto mais você sobe, de mais alto você pode cair. Shakespeare aplica a Terceira Lei de Newton em um de seus maiores clássicos, “Romeu e Julieta”. Quanto mais as famílias Montechio e Capulleto proíbem ambos de se apaixonar, mais envolvidos eles ficam. Não é de hoje que eu tenho amizades nesse estilo, consideradas “proibidas”, amigos e amigas.

Apenas baseada num simples princípio físico, eu já identifiquei algumas grandes verdades. E eu tenho uma pergunta de um milhão de dólares, depois de pequenas informações reunidas: como você tira a verdade de uma pessoa contando e justificando seu pedido com MENTIRAS? O certo não é você, que quer tudo esclarecido, ouvir atentamente todos os lados com a real intenção de entender e não de “se vingar” pela mentira usando um enorme arsenal delas pra conseguir a verdade que você quer ouvir? E eu usei verdades. E tem uma verdade que é a maior delas: eu entro qualquer jogo da vida pra ganhar, mas eu sei perder, desde que se jogue de acordo com as regras. Sentir que posso perder porque distorceram as regras do jogo em benefício próprio é uma grande merda. É uma puta sacanagem. Jogue o jogo com os princípios básicos da maturidade humana: noção e senso de justiça, Leis da Física e um pouco de biologia e ciência comportamental não fazem mal, a gente aprende todo santo dia. Chega de ver gente ganhando tudo no grito na vida, sem os argumentos CERTOS. Porra, eu também passo pelos meus problemas. Aliás, eu dei um duro filho da puta pra ser quem eu sou e como eu sou e fazer o que eu faço da minha vida e com os meus dias. Eu passei por muita merda que gente que se considera super forte não passaria e muito provavelmente, se mataria por covardia. Eu dei voltas por cima em várias das vezes que eu caí fodida e ninguém me estendeu a mão pra levantar. E pra quem eu deveria pedir, foi melhor eu não ter pedido, porque a merda seria muito maior e a minha dor também.

Os problemas das pessoas são diferentes uns dos outros. Eu não sou mais ou menos “sofrida” que ninguém. Mas me emputece e, ao mesmo tempo me entristece profundamente eu ter estudado tanto, lido tanto, me esforçado tanto, mais e mais, toda porra de santo dia pra ser um ser humano com um cérebro minimamente funcional e ser encurralada via mentira e esperteza. Falar em mentira e falsidade quando você está sendo falso e mentiroso pra conseguir o que deseja – tirar alguém do caminho “porque sim”, usando argumentos fora das regras – é cometer suicídio ético e intelectual. Eu pareço hipócrita falando isso, mas é só esfriar o sangue e pensar por um momento.

Todo mundo já ouviu falar no Spock, e como ele dizia, é apenas lógico: a única que perde sou eu sim. E eu sou como o Spock, apesar do meu pai dizer que eu tenho testa de Kilngon. Spock é conhecido por ser intelectualizado, racionalizar e ser analítico em questões práticas, ele é filho de um pai Vulcano – Vulcano é um planeta em que seus habitantes são desprovidos de emoções através da disciplina Kolinahr – mas… Sua mãe é humana. Spock tem sentimentos muito intensos e quando resolve externá-los, sai de baixo.

Eu sou uma ariana emotiva que entende e consegue racionalizar as coisas, separá-las, cada uma em seu quadrado. Racionalizando, essas conclusões minhas ainda sim, são unilaterais. Não sei se me será concedida a oportunidade de olhar por todos os aspectos. Porque eu estou lidando com um ser emotivo e desequilibrado e um ser pragmático e prático, que vai se privar de emoções e vai racionalizar muito melhor do que eu racionalizo.

Nunca é tarde pras pessoas crescerem. Nunca é tarde pra elas assumirem seus reais sentimentos e dúvidas, até mesmo rancores ou reconhecerem sua própria hipocrisia. Então é isso. Eu vou me apegar no princípio básico da amizade mesmo e torcer para que decisões mais humanas e menos vulcanas aconteçam. Não quero perder dessa vez. Mas já perdi.

E quando eu perco assim, me dá raiva. “Fulano mentiu pra mim”. E essa pessoa tá fazendo o quê? Falando a verdade? Sendo sincera? Mas na vida, é bem assim: você tem duas mãos, uma com uma pílula vermelha, que te leva pra dentro da toca do coelho, numa aventura, numa teia de novidades, através de um frenezi que é difícil acompanhar e entender, e por isso é tão bom; e uma azul, que te leva de volta pra sua cama, pra sua vida pacata, comum. A maioria toma a pílula azul, é a decisão mais confortável, a menos arriscada, você já sabe o que vai encontrar. Mas cada vez que essa escolha se apresenta na minha vida, eu penso bastante, sou sempre tentada a tomar a pílula azul. Mas no final, eu sempre escolho a vermelha, sempre aposto alto, sempre quero saber onde vai dar a toca do coelho.

Cada um sabe onde aperta o próprio calo. Eu não vou julgar ninguém, eu cheguei às minhas conclusões. Mas eu sou um satanáries pior do que se pensa, porque quando todo mundo me espera ansiosa a ponto de comer os dedos, é aí que eu viro um Buda de paciência. Porque vários dos acontecimentos me levam a entender um pouco mais de mim, e eu sei esperar porque eu acredito em destino. Se for meu destino cruzar novamente com quem eu perdi, isso vai acontecer, e não vai ser uma pirraça, uma infantilidade de alguém que se descreveu pra mim como pessoa equilibrada, fina e madura, que vai me separar de quem eu quero por perto. E eu quero, não importa quando isso pode acontecer, se é que pode acontecer.

Algumas pessoas cometem auto-desperdício. Eu mesma tou fazendo isso nesse exato momento, já tem alguns dias. Eu preciso respirar fundo e tomar decisões mais definitivas na minha vida, porque estou me vendo tomando a pílula azul e agora tou com ela engasgada na garganta, querendo cuspir. Mas isso é um problema meu, e juntou com outros problemas, e agora tá tudo revirando.

Eu vou respirar fundo pra entender o que eu tenho que fazer ou se eu preciso esperar a inércia da vida. E mesmo que minha atitude tenha que ser aceitar o que vier, eu não vou desistir de ter quem eu quero bem por perto. Eu espero.  É só falar comigo.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s