PAI VIRGINIANO, FILHA ARIANA

Se tem uma coisa nessa vida que pra mim é um grande mistério, é isso… Como pode ser tão incrível o relacionamento de uma filha ariana até os últimos fios de cabelo, com um pai virginiano eterno?

Satanáries, como vocês já sabem, possuem uma missão na vida: atingir seus objetivos por competência e meritocracia, pela insistência ou cansaço ou simplesmente “porque sim”. Nenhuma grande vontade de um ariano passa, e por isso, ele precisa realizar pra não ficar até doente com isso. Virginianos são seres tão pragmáticos que é praticamente impossível detectar neles sentimentos de afeto, amor, carinho, paixão… Esse é um signo oposto ao fogo do ariano: enquanto o carneiro rasga tudo em emoção e paixão, os virginianos procuram o lado analítico e nada emocional das coisas, só assim eles também sentem-se confortáveis na própria pele.

Meu pai, além de virginiano convicto, é psicólogo e um grande gênio. Mas gênio mesmo. O QI do meu velho é um pouco mais baixo que do Albert Einstein, o que torna ele uma pessoa extremamente difícil de se conviver no dia a dia. Curiosamente, dos três filhos, eu sou a que mais ama passar tempo com ele. Pra ouvir um pai, psicólogo, virginiano, gênio… Nossa, haja a paciência que o ariano não tem! Mas eu acho que isso vem muito da criação.

Meu pai passou por um casamento antes de conhecer minha mãe. Quando ele se apaixonou, casou-se seis meses depois. Eu só fui aparecer na vida deles uns dois anos depois disso. E antes, meu pai lidava com os diversos problemas mentais da mãe e do irmão, além de várias das minhas tia-avós. Quando eu cheguei na vida dele, eu mudei tudo: o cara pragmático deu lugar a um pai nos modelos de herói, preocupado sempre com meu bem estar, minha saúde e minha personalidade… Eu, desde bebê, tive que lidar com insônia e crises de ansiedade… Imaginem só meus pais…

E, como eu sou a primogênita, muita expectativa foi colocada no meu desenvolvimento como ser humano: eu falei cedo, andei cedo, aprendi a ler e escrever cedo, tudo incentivada pelo meu virginiano mais amado do mundo. Foi ele quem trabalhou minha ansiedade, minha histeria e minha cabeça, tudo a fim de que eu fosse mais à sua imagem e semelhança… E ele, que adora uma astrologia, uma numerologia, atenuou o que dava pra atenuar numa moleca que saiu com signo solar, lua e ascendente nessa porra de carneiro: eu me chamaria Carolina, mas o nome, de acordo com ele, só me deixaria ainda mais insuportável… E ele escolheu o meu nome porque, apesar do poder histórico “imperial” dele, também era um bom sinônimo de controle, de vitória nas guerras por vir na vida, de perseverança e de entrega.

Mas ele me deixou ter o lado bom da ariana: a paixão pelas coisas, a rebeldia, a vontade de saber, de ter, me ensinando os princípios básicos de um virginiano, que são o pragmatismo e o “sangue de barata estratégico”. Aliás, fica um aviso… Virginianos, justamente por não demonstrar suas frustrações, viram uma verdadeira bomba atômica quando resolvem “estourar”. Eles colocam tudo pra fora, sem dó ou piedade do seu alvo e de quem mais estiver por perto. O sermão de um virginiano é uma palestra raivosa que pode durar horas se você tiver aprontado muito. Eu que o diga.

Minha mãe faleceu faz tempo, e é claro que eu sinto muita falta dela. Tem coisas que só uma mãe entenderia… Ou um pai virginiano. Meu pai é um cara que ouve tudo atentamente sem julgar. Mas quando você pede pra ligar o botão do terapeuta, os conselhos são ainda mais incríveis. Ele sempre falou tudo bem no meio da minha cara: quando ele estava orgulhoso, triste, bravo, decepcionado, preocupado comigo. E eu acho que sou a única dos filhos pra quem ele demonstra sentimentos. Ele fala o quanto me ama, o quanto eu faço dele um cara feliz, orgulhoso… Ele me abraça, beija, morde… Cuida de mim quando eu estou doente, me chama pra viajar com ele, pra sair, pra beber…

Dos três também, eu sou a que levou o plano dele à risca: tentar ser a melhor em tudo o que eu fizesse na minha vida sem”blefar” com ninguém. E como uma ariana obediente quando eu quero, eu fiz tudo como ele sempre mandou. Meu pai tem um ditado: “vai na minha que você nunca vai se dar mal” e é dito e feito; eu só me estrepo e coloco os pés pelas mãos quando eu não dou ouvidos aos sábios e práticos conselhos do meu pai virginiano.  Fora tudo isso, ele sempre me incentivou a fazer tudo o que eu tenho vontade, e defendeu do meu lado vários dos meus ideais.  Ahn, e dá pra ver no brilho dos olhos dele como ele me admira! É muito amor e muita paixão pra um pai só!

E, depois de tantos anos de convivência com esse virginiano, eu tenho impressa em minha personalidade esse “moralismo free” – também graças às várias lições de filosofia grátis que meu pai me deu e ainda me dá – além de um certo pragmatismo em alguns assuntos, como política por exemplo. Só minha inteligência emocional que não é la das melhores, mas ainda tenho alguns anos pela frente com o meu maior herói; o cara que sempre me deu autonomia de pensamento, ferramentas para ser uma pessoa melhor e o carinho que só o pai mais incrível desse universo pode me dar.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s