SUCCUBUS

Ela é da noite. Shortinho, uma regata longa desgastada e preta, saltos bem altos, cheios de recortes detalhados, cabelos longos e escuros. Seios fartos e um olhar penetrante. Ela vaga de bar em bar, sugando o veneno que sobrem corpos solitários em cada balcão. Ela sorri com malícia, faz o sangue bombear; o corpo transpira perto dela, com medo de perder-se em seus beijos. Drink a drink, ela prepara sua combustão para te arder de paixão junto de si. Lilith não passa por lugar algum sem ser notada. A maquiagem escura, borrada, os lábios incandescentes, vermelhos, as unhas afiadas, negras.

Ela penetra seus sonhos como uma gata manhosa, se esgueirando pelos cantos sujos da mente de um homem…Nos sonhos, ele sente uma vertigem alucinante ao beijar seus lábios. Ela o toca, e procura seus ouvidos para lhe dizer que nunca ninguém a fez sentir tanto prazer. Ela toma-lhe uma das mãos e, delicadamente, passeia sua língua por cada dedo, puxa-lhe os cabelos, beija-o com fúria e lascívia. Ele é escravo do corpo e da mente dela. Ele a quer consumir de qualquer maneira, exaurir-se ao beber de sua fonte de mel. Ela morde os lábios, crava suas garras em suas costas, sua nuca, quer que você a olhe nos olhos, a sinta através dos olhos, perceba o prazer máximo em cada gemido, a cada palavra sussurrada, a cada respiração ofegante.

Ela precisa entrar nele. Ela precisa encostar em cada milímetro da sua pele, acariciar o sexo com seus próprios lábios, sentir os fluidos percorrendo seu colo… Ela entra em um transe e te coloca em outro. O faz sentir flutuar de prazer, tanto que suas ações perdem sentido, e ele nada mais enxerga senão aquele momento, em que as vibrações finalmente se encontram em uma doce agonia, regozijando-se, gloriosos, como se fosse esse o caminho do paraíso.

Quando chega o fim, ela finalmente se despe. Seus olhos perdem aquele amendoado que a tornava misteriosa, transitando para tons de vermelho sangue, tornando-a temida. A pele empalidece, percorrendo o pescoço, orelhas, seios… Ao que, então, ela ganha uma dura camada de escamas, como um dragão… Em suas costas, plumas em nuances de azul e verde a tomava, com asas imensas despontando vagarosamente sob seus ombros. E só assim ela percebe que a única forma de possui-lo completamente é tê-lo dentro de si…

Ela, por cima dele, desliza suas garras por entre seu corpo, rasgando sua pele e expondo suas entranhas. A sede por aquela alma é maior do que o desejo por seu corpo, e ela o consome, pedaço a pedaço, até que ela atinja seu clímax verdadeiro. E sua verdadeira identidade seja, então, revelada, e ela se desfaça de prazer. Etérea.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s